MISTÉRIOS DA CIDADE - Sabe onde fica?
Saiu na Vejinha SP deste fim de semana (27/5/2006):
Elton Melo
 |
Depois de ter estudado em Paris, no fim do século XIX, o pintor fluminense Oscar Pereira da Silva (1867-1939) veio para São Paulo dar aulas no Liceu de Artes e Ofícios. A partir de 1903, trabalhou em painéis no teto do salão nobre do Teatro Municipal. Durante dez anos, com o artista plástico paulista Benedito Calixto (1853-1927), dedicou-se à decoração interna da Igreja de Santa Cecília, no largo homônimo. A foto acima mostra a imagem de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, pintada por ele sobre um altar lateral do templo.
Observação: a foto reproduzida na Veja foi publicada orignalmente neste blog, no post da Igreja de Santa Cecília em 26/1/2006:

Escrito por Elton Melo às 18h37
[]
[envie esta mensagem]
|
Pateo do Collegio

Em 1553, o Padre Manoel da Nóbrega — superior dos jesuítas que estavam na Bahia com os primeiros colonizadores — foi conhecer São Vicente, no litoral do atual estado de São Paulo. Em busca de local para a fundação de um novo colégio, sob os olhares curiosos dos guainás e tupiniquins, um grupo de treze padres da Companhia de Jesus subiu pelas trilhas indígenas na Serra do Mar. Chegaram ao planalto de Piratininga, uma colina alta e plana, cercada pelos rios Tamanduateí e Anhangabaú.

Os caciques Caiubi e Tibiriçá construíram uma cabaninha para abrigá-los. Em 25 de janeiro de 1554 — dia em que a Igreja comemora a conversão de São Paulo —, o Padre Manuel de Paiva, o Padre Afonso Brás e o Irmão José de Anchieta oficializaram a presença dos jesuítas com a celebração de uma missa, assistida pelos índios que ali habitavam.
Em setembro de 1554, o Padre Afonso Brás iniciou em São Paulo de Piratininga a construção da nova casa e igreja, com auxílio de índios e demais membros da Companhia. Inaugurados Igreja e Colégio em 1º de novembro de 1556, o Padre Afonso Brás estendeu seu ofício de construtor às edificações dos moradores da povoação, que em fins do século XVI contava com uma centena de famílias, muitas delas vindas da Vila de São Vicente e Santo André da Borda do Campo.

Afastada dos interesses da Metrópole, São Paulo encontrou como solução a prisão de índios pelos bandeirantes. A escravização indígena chocava-se com os objetivos dos jesuítas. A incompatibilidade de princípios agravou-se no decorrer do tempo, culminando com a expulsão dos jesuítas em 1640. Reintegrados 13 anos depois, construíram igreja e colégio novos.
O Colégio de São Paulo foi o centro da cultura paulista. Nele se realizava o ensino oficial para alunos externos que mantinham uma efervescente vida estudantil, com festas próprias. A rica biblioteca foi desfeita em 1759. O Colégio era dotado também de boa e grande farmácia, a Botica do Colégio. Os remédios eram vendidos aos ricos e oferecidos gratuitamente aos pobres. Em tempo de epidemia, eram distribuídos a toda a população, o que rendeu à farmácia o título de Oficina de Caridade.
Em 1759, em cumprimento de ordens da Coroa Portuguesa, o Marquês de Pombal aboliu a Companhia de Jesus nos reinos e colônias de Portugal. Expulsos os jesuítas, o Colégio foi transformado em palácio dos Capitães-Gerais Governadores de São Paulo.

Entre 1932 e 1953, o então Palácio do Governo foi transformado na Secretaria da Educação. Em 1954, durante as comemorações do IV Centenário da Cidade de São Paulo, foi organizada uma Campanha de Gratidão aos Fundadores de São Paulo, no sentido de recuperar o espaço e devolvê-lo à Companhia de Jesus. Esse projeto efetivou-se em 1979 com a inauguração no sítio histórico do Museu e Capela Padre Anchieta.
A Companhia de Jesus recebe de volta as instalações e dá-se início à reconstituição do Colégio, nos moldes da terceira construção de 1653, permanecendo remanescentes a Cripta, parte de uma parede em taipa de pilão e o antigo torreão. Hoje, quem visita o Pateo do Collegio (Largo Pateo do Collegio s/nº – Centro) encontra o Museu Padre Anchieta, o Auditório Manoel da Nóbrega, a Galeria Tenerife, a Praça Ilhas Canárias com seu Café do Pátio, a Capela Beato José de Anchieta, onde estão guardados o fêmur de José de Anchieta e seu manto, a Cripta Tibiriçá e a Biblioteca.


O monumento Glória Imortal aos Fundadores de São Paulo fica na praça do Páteo do Collegio. Inaugurado em 1925, Amadeu Zani foi o escultor responsável pela obra. A mulher no topo do monumento representa a cidade e carrega um ramo de louros, uma foice e uma tocha, representando, respectivamente, a glória, o trabalho e o fogo simbólico da religião e da cultura.

E pertinho dali ficam os prédios da Secretaria da Justiça — de novo, que justiça...


Escrito por Elton Melo às 15h54
[]
[envie esta mensagem]
|
Igreja da Ordem III do Carmo
 Igreja da Ordem Terceira do Carmo, no centro — não confundir com a Basílica de Nossa Senhora do Carmo!
A velha Igreja de Nossa Senhora do Carmo foi fundada pelos carmelitas em 1592. Em 1928, o governo estadual desapropriou e demoliu a igreja, dando espaço para a Av. Rangel Pestana. A atual Basílica de Nossa Senhora do Carmo fica na Bela Vista. Mas no centro sobreviveu outro templo carmelita: a Igreja da Ordem Terceira do Carmo (R. Rangel Pestana, 230).

Existem três ordens religiosas no Monte Carmelo:
- A Ordem Primeira é a dos homens que se entregam à vida religiosa, ao celibato e a todas as regras de uma vida monástica.
- A Ordem Segunda é a das mulheres que se dedicam à vida casta e ao serviço religioso (como na Ordem das Carmelitas Descalças, fundada por Santa Tereza d'Ávila).
- A Ordem Terceira é a dos leigos, que podem se dedicar às suas vidas pessoais separadamente da Igreja, mas por ela trabalham e igualmente seguem uma regra de conduta e fé.
A fundação da Ordem Terceira do Carmo no Brasil data dos séculos XVI ou XVII. A fundação da Igreja da Ordem Terceira é incerta... 1632, ou seria 1648?
Em 1868, a Ordem Terceira do Carmo teve seu cemitério em parte do terreno do cemitério da Consolação. A igreja passou por reformas. Nas paredes laterais as esculturas de madeira do século XIX chamam a atenção.
Escrito por Elton Melo às 15h51
[]
[envie esta mensagem]
|
Palácio da Justiça (do quê, da Justiça?)
 O Palácio da Justiça
Depois da recente guerra civil em São Paulo, continuamos nossa visita à região da Sé!
 Detalhe da entrada
E, ironicamente, chegamos no Palácio da Justiça (Praça Clóvis Bevilaqua s/n°)...
 Confirmando o que já disse em outra foto: a justiça é cega, surda e muda!
Mas vou me restringir à parte arquitetônica, sem entrar na questão da [in]justiça.

Este prédio foi projetado por Ramos de Azevedo — como tantos outros! Foi inaugurado em 1911, inaugurado em 1942 e tombado em 1981. O Museu do Tribunal de Justiça funcionada desde 1995.

Escrito por Elton Melo às 22h04
[]
[envie esta mensagem]
|